Spencer Lee fala sobre o sucesso do Praia Clube e admite que só “milagre” faz Herrera jogar esta Superliga

Spencer Lee fala sobre o sucesso do Praia Clube e admite que só “milagre” faz Herrera jogar esta Superliga
(Foto: Alexandre Arruda/CBV)

(Foto: Alexandre Arruda/CBV)

A excelente campanha do Praia Clube/Banana Boat nesta temporada tem chamado a atenção de muita gente. Longe de contar com um orçamento gigante, o clube mineiro conseguiu montar um elenco bom a ponto de incomodar de verdade os favoritos desta Superliga feminina de vôlei, terminando o primeiro turno em segundo lugar, atrás da Unilever somente pelos critérios de desempate. A chave do sucesso? Foi esta a resposta que busquei ao entrevistar o treinador Spencer Lee logo após a vitória por 3 sets a 0 sobre o São Bernardo na última segunda-feira (14).

O papo rendeu uma matéria para o Portal R7, que você pode ler clicando aqui. No Saída de Rede, porém, decidi colocar a íntegra da entrevista com o simpático treinador, de forma que os fãs de vôlei possam ter uma maior noção de como o bom desempenho do time não é um mero acaso. Eu, aliás, diria que a formula é um exemplo pra muita gente que joga milhões no esporte querendo um retorno imediato, como se tudo dependesse apenas de dinheiro. Obviamente, não atingem os objetivos e aí retiram o investimento sem mais nem menos. Exemplos nos últimos anos é o que não faltam.

No bate-papo, Spencer ainda admitiu ser improvável o retorno da craque Herrera, que sofreu uma grave lesão no joelho, nesta temporada, mas diz que o clube acredita em um “milagre”. Ele também falou sobre os objetivos do Praia e até explicou o porquê de ter um nome tão diferente. Ficou grande, mas vale a pena. Espero que curtam. Como sempre, a caixa de comentários está à disposição.

Saída de Rede: Mesmo sem um elenco tão badalado como Unilever, Sollys, Vôlei Amil e Sesi, vocês estão em segundo lugar na classificação da Superliga. Qual é o segredo?

Spencer: O time trabalha muito sob o aspecto coletivo. Nós não temos grandes estrelas, mas todas essas operárias do voleibol estão conquistando um espaço dentro deste mercado. Elas treinam com muita dedicação e todos nós levamos uma relação saudável, de muito cuidado. A estrutura do Praia também é muito boa, não perde para nenhuma outra grande equipe do nosso país. É o quinto ano que figuramos na Superliga e há um amadurecimento do clube. Acredito que seja esse conjunto de elementos que façam a nossa equipe ser competitiva nesta que talvez seja a Superliga mais equilibrada dos últimos anos.

SDR: Você mencionou, por exemplo, que o clube já está investindo há cincos anos. Recentemente, tivemos Vôlei Futuro e Blausiegel, que fizeram elencos fortes no vôlei feminino e, em dois anos sem chegar à final, desmontaram tudo. Como foi o trabalho dos dirigentes lá em Uberlândia para que depois de todo esse tempo sem nem uma semifinal, sem uma exposição maior da marca, eles não desistissem?

Spencer: Nós trabalhamos no primeiro e no segundo com um investimento muito baixo, vindos da Liga Nacional. No nosso primeiro ano, ficamos em nono, com uma vitória a mais que o oitavo colocado, foi uma questão de regulamento. E isso foi muito legal porque vimos que tínhamos condições de figurar entre os oito melhores. No ano seguinte, ficamos em sétimo, com 12 vitórias e um elenco novo, de jovens jogadoras. No terceiro ano, tivemos a oportunidade de trabalhar com o Boni, estatístico da seleção, eu fui auxiliar dele. Me trouxeram de volta no ano passado, ficamos em sexto. O Praia traça metas degrau por degrau, um passo de cada vez. Pra esse ano, nós mantivemos oito jogadoras da última Superliga e, com isso, conseguimos uma equipe base e agregamos algumas peças importantes, caso da central Dani Scott, da ponteira Herrera, da central Leticia Hage, da levantadora Camila Adão, da central Mayhara, que hoje atuou como oposta… essas peças se encaixaram muito bem naquelas oito que já estavam desde o ano passado. Deu uma qu[imica muito legal.

Acredito que a médio ou curto prazo, se o projeto continuar caminhando dessa forma, o Praia vai conseguir brigar para estar entre os três primeiros da Superliga ou na final. Hoje, mesmo empatados com a Unilever, ainda temos um time modesto, com jogadoras jovens mescladas com jogadoras experientes, que passam essa vivência no vôlei pra todos nós do projeto com humildade e preocupação de estimular as jovens ao aprendizado. Acho que é esse conjunto de elementos que vem causando essa química

Não tem um segredo: o nosso trabalho está feito com muita honestidade, muita sinceridade, mas ninguém é um fenômeno. Contra o São Bernardo, as jogadoras não fizeram uma grande partida, mas a estratégia funcionou. Taticamente o grupo soube em quem sacar, em quem atuar no bloqueio, na defesa… são operárias do vôlei com desejo muito grande de ocupar um lugar de destaque e isso está acontecendo

SDR: Principalmente essa questão da união foi importante depois da contusão da Herrera. Como o Praia encarou perder a maior pontuadora do campeonato em uma infelicidade ?

Spencer: Foi uma tristeza muito grande. Mas a Dayse entrou no lugar da Herrera no jogo em que ela se machucou e nós ainda conseguimos vencer o Vôlei Amil por 3 a 0, o que deu à nossa equipe a sensação de “mesmo se viermos a perder a Herrera pela lesão, ainda somos uma equipe competitiva”. E isso ficou dentro delas.  Hoje, as jogadoras trabalham com uma motivação extra, para que a gente atinja os mesmo objetivos sem a nossa principal atleta.

A Herrera não é melhor ou pior que as outras jogadoras do grupo, mas é uma atleta de definição e nós soubemos muito como aproveitar isso montando uma estrutura tática para que a Herrera viesse a definir os pontos. Hoje, a gente não tem essa referência no ataque, mas todo mundo assumiu um pouquinho essa responsabilidade de derrubar algumas bolas. A sensação no time é que elas perderam uma grande guerreira, mas a batalha continua

SDR: Essa lesão que a Herrera teve no joelho (rompimento do ligamento cruzado anterior) é muito complicada. Como a ela está?

Spencer: Ela é uma pessoa muito forte, determinada, quer muito voltar o quanto antes, mas a gente sabe da gravidade. Uma lesão de cruzado anterior é uma lesão de quatro meses de recuperação, no mínimo, o que a faria perder a Superliga, mas ainda acreditamos em um milagre. Na verdade, é só um milagre para que ela volte essa temporada. Se não acontecer, nosso time hoje é esse que está jogando, que conquistou a terceira vitória seguida, a segunda sem Herrera. O time já está consolidado nesta nova versão

SDR: Com qual resultado você terminaria satisfeito esta Superliga? Antes do campeonato, você esperava por todo esse sucesso?

Spencer: Nosso objetivo é fazer melhor do que foi feito antes, pois nosso investimento vem aumentando a cada ano, com novos parceiros, e estamos em uma crescente. Fomos sextos no ano passado, agora o quinto já seria uma evolução. Mas, a gente começa uma Superliga sem saber como vai ser.  A expectativa era fazer legal porque sabíamos do potencial do nosso grupo, mas faltava testar porque não tivemos Campeonato Mineiro em 2012. Ganhamos na estreia, depois do Sesi, perdemos pra Unilever em um jogo disputado, depois perdemos pro Sollys por 3 a 0 porque o nosso time estava morto por conta do 3 a 2 da Unilever três dias antes e da viagem que tivemos que fazer… A partir daí, figuramos sempre entre os primeiros e isso fez com que a gente pudesse acreditar em algo maior. Acho que agora temos sempre que esperar o melhor e nosso desejo é continuar entre os primeiros para ter um bom cruzamento nas quartas e levar a equipe até a semifinal, que seria um fato inédito neste projeto, um prêmio. Mas à medida que você vê as coisas dando certo, vamos tendo aquela pretensão de “quem sabe”, de beliscar lá em cima. Não tem porque não acreditar do que a gente é capaz nesse campeonato.

Nós temos um time para ganhar jogos. Talvez não seja agora, principalmente sem a Herrera, um time para ganhar o campeonato, mas quem sabe com essa característica, vamos tentar ir o mais longe que a gente quiser e, na próxima temporada, repetir a estratégia de manter uma oito jogadoras e ir alavancando a qualidade da equipe para os resultados continuar vindo.

SDR: Por fim, uma curiosidade. De onde vem seu nome?

Spencer: Meu pai é holandês e veio trabalhar no Brasil como intérprete/tradutor na construção da usina de Furnas. Ele então conheceu minha mãe e assim foi. Sou mineiro de Passos, mas eu e meus irmãos temos essa influência do nome.

This article has 5 comments

  1. Caramba,to admirando muito a evoluçao do time do Praia Clube.
    Dou meus parabéns para os patrocinadores,q naum abandonaram a equipe,mesmo em superligas onde nao foram campeãs.
    Ao contrario de outras equipes que foram abandonadas,mesmo tendo um resultado historico.Exemplo disso é o Volei Futuro,equipe a qual foi desmontada em um periodo a qual a equipe havia conseguido um bom resultado na ultima Superliga que tinha participado.
    Parabéns a Equipe do Praia Clube e a Todos os seus Patrocinadores,continuem apoiando,pois é com derrotas que agente constroi um novo amanhã!!!! #FãDoVoleiFuturo!

  2. Sempre admirei o trabalho do Spencer, desde que ele trabalhava com a base. Hoje eu digo que a melhor jogadora dessa equipe se chama “Spencer”. Claro que ele conta com ótimos colaboradores, mas, ele faz a grande diferença, isso é mostrado com os resultados que vem tendo a equipe após a lesão da Herrera. Imagina o que ele não faria no lugar do Talmo? Parabéns ao Spencer e toda sua equipe, principalmente por conseguir essa obediência das atletas dentro de quadra. Acredito que o Praia pode sim beliscar uma final! E vou torcer muito por isso!

  3. Cleivan e Wagner: o Praia pode não aprontar uma grande por N motivos nesta Superliga, mas é um time que deve ser bastante respeitado. Senão… já sabemos. Abs!

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