Surpresa por saída de Fabi da seleção, nova líbero encara desafio com naturalidade

Surpresa por saída de Fabi da seleção, nova líbero encara desafio com naturalidade

No começo de junho, quando tinha que elaborar a lista de jogadoras convocadas para o Grand Prix, José Roberto Guimarães, ligou para a líbero Fabi, 34. Depois de já tê-la convencido a abandonar a ideia de sair da seleção brasileira de vôlei após as Olimpíadas de Londres, o técnico ouviu do outro lado da linha um pedido para ir a Saquarema, cidade do litoral fluminense onde fica o Centro de Treinamento do time nacional:

— Chefe, preciso falar com você

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A frase deu a Zé Roberto a certeza que não poderia mais contar com a atleta, que passara os 13 anos anteriores a serviço da seleção. Em 13 de junho, a bicampeã olímpica tornou pública a sua intenção: era hora de parar para se dedicar à vida pessoal e a outros aspectos profissionais, como terminar a faculdade e dar palestras.

A responsabilidade de, literalmente, defender o Brasil na busca pelo inédito título mundial, entre setembro e outubro, e nas Olimpíadas de 2016 caiu no colo de Camila Brait. Consagrada como líbero do Molico/Osasco, um dos principais clubes do país, a sorridente mineira de 25 anos já vinha sendo testada na seleção há alguns anos, mas nunca havia tido uma chance tão grande. E se surpreendeu:

— Quando cheguei das férias em Portugal, tinha várias mensagens no celular e eu falei “Gente, será que a Fabi saiu mesmo?”. Aí eu vi a matéria e liguei para ela, que me contou tudo (…) Me surpreendi porque a Fabi sempre amou voleibol. Ela ainda está jogando bem e líbero vai até a idade que quiser

Ao ser questionada sobre o porquê de sair da seleção às vésperas de um Campeonato Mundial, Fabi se justificou dizendo que Brait precisava participar de uma grande competição antes de jogar as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. A nova líbero, porém, encara os desafios que terão pela frente com naturalidade e assegura estar preparada:

— Se você carregar um peso que não deve, vai acabar não conseguindo jogar. Tem que encarar o Mundial como se fosse um Grand Prix, uma Superliga, um campeonato normal. Tenho que estar preparada, né? (risos). Estou sim, treinando bastante, todo dia faço extra e estamos no caminho certo

Até lá, Camila precisa ganhar a confiança plena de Zé Roberto, que admite ser “preocupante” perder Fabi neste momento (“A próxima Olimpíada deve ser a mais importante das nossas vidas porque será jogada em casa”):

— Vamos ver se a Camila tem tempo para assumir a responsabilidade (…) Uma coisa é você saber que tem a retaguarda e outra é saber que você é o primeiro, que agora o jogo é contigo. Espero que ela tenha se preparado o tempo inteiro para este momento, que é quando você tem que assumir suas responsabilidades.

(reportagem originalmente publicada no Portal R7. Clique aqui para ler)