Titular? Pra quê?

As titulares de hoje. E de amanhã?

A programação esportiva deste sábado proporcionou a exibição, quase na sequência de dois jogos de duas seleções brasileiros em início de temporada: o vôlei feminino e o basquete masculino. Dois times que aparentemente não tem nada a ver, mas dividem o desprezo daquilo que é tão prestigiado no futebol: a titularidade.

Treinador do time de basquete, Ruben Magnano já avisou que não importa quem começa o jogo, mas sim quem atua bem e permanece mais tempo em quadra. Ok que era só uma amistoso e contra a “poderosa” Venezuela, mas antes do fim do primeiro quarto ele já tinha trocado o time todo. E, não, não era porque eles estavam jogando mal.

José Roberto Guimarães tem postura semelhante: diante de outro time “poderoso”, Taiwan, colocou todo mundo para jogar. E ninguém também jogou mal. Por mais que alguns/algumas tenham altos e baixos, o Brasil não iria perder porque o Nezinho ou a Fabíola ficaram em quadra.

Sinto uma enorme sanha, no mundo do vôlei, para os torcedores dizerem: “Olha, a jogadora X é banco, a Y não”. Ou “Ah, a jogadora Y não joga nada, tem que ceder logo o lugar da jogadora x”. Isto é especialmente evidente na disputa entre as ponteiras, onde Jaqueline, Mari e Paula Pequeno lutam entre si pelas duas posições de titulares.

Na boa, qual a diferença entre começar no banco ou não? Em esportes nos quais há uma certa flexibilidade para a saída e volta de atletas, como o vôlei e o basquete, o rodízio deve ser mesmo implementado até para se enfrentar adversários de diferentes características. Contra Taiwan, Paula se deu melhor que Mari. Contra o Japão, Mari se deu melhor que Paula. Em Pequim, as duas foram melhores que Jaqueline…

Nem aquelas que chegam mais perto da unanimidade, como Sheilla e Fabiana, são insubstituíveis. Natália, por exemplo, tem entrado frequentemente como oposta e dado conta do recado. Joycinha pode não estar no mesmo nível de ambas, mas certamente não provoca calafrios quando entra. O mesmo acontece com Carol Gattaz e Adenízia no meio.

Por isso, que ninguém se surprenda se o time que possivelmente vencer o mistão da Itália for completamente diferente daquele que dominou o Japão em São Carlos.