Três motivos para acreditar e três para duvidar do Brasil neste Mundial

Três motivos para acreditar e três para duvidar do Brasil neste Mundial

Sete jogos disputados por todos os times sobreviventes e chegamos à metade do Mundial feminino de vôlei. Ainda invicta na competição, a seleção brasileira se encontra muito perto de garantir uma vaga na terceira fase, mantendo assim o sonho de conquistar esse título em inédito. Mas será que vai dar? O Saída de Rede apresenta abaixo argumentos para os otimistas e para os pessimistas.

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Em confronto ranhento, vencer foi o que valeu

Comecemos pelo lado bom:

Desistir? Jamais!

Eu imagino que deve ser um saco enfrentar a seleção brasileira feminina de vôlei. Não bastasse a qualidade das jogadoras, capazes de fazer diversas jogadas sob o comando de uma comissão técnica competente, trata-se de um time que ressurge do nada. Sim, falhas existem (e vamos falar delas abaixo), mas é preciso jogar em alto nível e manter a concentração o tempo todo para não tomar uma virada contra o Brasil. Que o diga a Turquia, que merecidamente levou os dois primeiros sets no jogo entre as equipes, mas acabou saindo de quadra derrotada no tie-break. Ressalte-se ainda que a inversão 5-1 tem aparecido com eficiência razoável.

Bloqueio

Posição mais confiável do Brasil desde pelo menos Pequim 2008, o meio de rede não tem decepcionado neste Mundial. Juntas, Thaisa e Fabiana já fizeram 47 pontos de bloqueio e proporcionaram 70 contra-ataques para a seleção. Não por acaso,  elas respectivamente abrem e fecham a lista das cinco melhores bloqueadoras da competição. Azar das atacantes adversárias…

Camila Brait

Aconteceu de maneira discreta e passou um tanto quanto despercebida por ter acontecido um dia depois da estreia do Brasil na Copa do Mundo de futebol. Estamos falando da aposentadoria de Fabi, uma das maiores (quiçá a maior) líberos da história. Às vésperas do Mundial, o time nacional teria que contar com uma jovem que já vinha sendo preparada, mas ainda não passara pela “prova de fogo”: Camila Brait. Pois não é que ela tem se saído tão bem que, quatro meses depois, nos damos conta que Fabi nem está fazendo aqueeeeela falta? Os méritos deste enorme feito são todos da atleta do Molico Osasco, atual líder das estatísticas de defesa.

Conheça os grupos do Mundial de vôlei

Agora, o lado ruim:

Passe instável

Se por um lado temos Camila Brait brilhando na defesa, por outro o nosso sistema de recepção não tem funcionado tão bem quanto no Grand Prix. Mesmo contando com Jaqueline e Fernanda Garay para fazer uma linha de passe de respeito, o Brasil ainda não se acertou neste quesito, especialmente quando se leva em conta o potencial deste trio. Ciente da qualidade das jogadoras do outro lado da quadra, os adversários estão forçando o saque em cima delas e, quando o serviço entra, a levantadora Dani Lins está sofrendo.

Apagões

Turquia, Sérvia e Holanda. Em três das últimas quatro partidas da seleção brasileira, a equipe saiu atrás no placar. Contra o fraco Cazaquistão, esse risco também esteve presente. A impressão que dá é que, durante alguns momentos do jogo, as atletas do time nacional simplesmente saem do ar, cometendo erros seguidos e comprometendo o desenvolvimento do set. Até agora, sempre houve alguém (mais precisamente e pela ordem Fabiana, Thaisa e Fê Garay) para assumir as rédeas da equipe e comandar a virada, mas contra um time mais experiente falhas assim podem ser fatais.

Virada de bola

Certamente uma consequência do passe ruim mencionado acima, mas é fato que jogadoras do porte de Sheilla, Fê Garay e Thaisa ainda não mostraram todo o potencial de ataque que possuem em duelos consecutivos. Exceto na partida contra a Holanda, colocar a bola no chão deu um trabalho acima do normal e não é à toa que a melhor atacante brasileira no torneio até agora, segunda as estatísticas da FIVB, seja Jaqueline. Lembremos, porém, que a pernambucana não tem no ataque sua principal função, mas ao menos está compensando o passe abaixo apresentado até agora. Em tempo: em nono lugar, Jaque é a melhor brasileira no ranking ofensivo, ao passo que é a 19ª nona maior pontuadora, sendo a atleta do país que mais colocou bolas no chão. É pouco para um time favorito.

E aí? O que você acha: que lado vai prevalecer no fim das contas?

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  1. Concordo com você a respeito das centrais; o meio-de-rede, hoje, é o melhor setor do time. Quanto à virada de bola, o passe ruim é parte da explicação, mas acho que há um outro fator do qual é até difícil falar: Sheila está em má fase, penso eu, desde a última Superliga. Ela é craque, está entre as melhores do mundo, mas Tandara está pedindo passagem tem tempo e merecia mais chances. Um abraço e parabéns pela cobertura dos Mundiais (tanto o masculino quanto este).

  2. Graças a Deus, que não precisamos de uma jogadora só pra resolver tudo (o que seria da Turquia sem a Sonsirma e a Rússia sem a Kosheleva ?), a solução do Brasil é uma só: recepção 100%, aí a Dani pode brilhar na distribuição.

    E apenas o USA tem a capacidade de nos tirar o título, jogo delas muito parecido com o nosso.
    China, Itália, Sérvia e Rússia não confio tanto.