Uma Superliga (até agora) de opostas apagadas

Uma Superliga (até agora) de opostas apagadas

Por Alexandre Muller*

As quartas de final abrem nesta sexta (20) uma nova etapa da Superliga feminina de vôlei 2014/2015. Se a competição já havia mudado na temporada passada, com o Sesi acabando com a polarização entre Osasco e Rio, a tendência se acentuou ainda mais nos últimos meses, com o time da Vila Leopoldina de  novo fazendo uma boa campanha e times com investimento médio alcançando resultados expressivos, caso do Pinheiros na Copa Brasil.

Apesar de todo esse equilíbrio, a disputa conta com uma característica muito curiosa: a irregularidade das opostas. Observe: nenhum (nenhum mesmo) dos favoritos conta com uma atacante de saída que tome conta do recado. Estamos longe de ver uma competição com destaques individuais para opostas, como já aconteceu em outros tempos. Exemplos? Leila no Rio, Mari no Finasa, Elisângela no Minas e Lia a equipe de Brusque. Logo nossa Superliga, que já revelou tantas jogadoras nessa posição determinantes para nossa seleção…

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Rexona, Sesi ou Molico: quem teve mais jogos na TV na fase classificatória da Superliga?

Peguemos o exemplo do eneacampeão da Superliga, o Rexona: iniciou o campeonato com Andreia, oposta que foi convocada para a seleção brasileira no ano passado, mas que sofreu uma lesão logo no inicio do primeiro turno. Bruna, sua reserva imediata, a substituiu. Quando Andreia se recuperou, as duas se revezaram, sem que nenhuma conseguir agradar a comissão técnica. Resultado: a ponteira Natália foi escalada como oposta na partida contra o Sesi, que encerrou a fase classificatória.

Nas quadras do arquirrival Molico, o mesmo acontece: Ivna e Mari têm sido inconstantes e se revezaram a Superliga toda. Com mais oportunidades no time titular, Ivna se encontra longe de ser o destaque absoluto do time, com poucos pontos e um baixo rendimento no ataque. Nos últimos três jogos, ela sequer apareceu entre as duas maiores pontuadoras da equipe, ficando atrás de Thaisa e Carcaces.

No jogo do segundo turno entre Osasco e Rio de Janeiro a ineficiência das opostas foi emblemática. Titular durante os cinco sets, Ivna marcou dez pontos, sendo apenas a quarta maior pontuadora do elenco paulista. Do outro lado, Bruna começou jogando e após marcar apenas oito pontos em três sets, foi substituída por Andreia, que conseguiu somente dois. Resultado? A comissão técnica recorreu a Drussyla, de 18 anos, que terminou o jogo com cinco acertos.

O Sesi vivia uma situação relativamente confortável neste quesito até Monique torcer o pé. Com a lesão da atacante, Pri Daroit acabou escalada para a saída de rede, mas a irregularidade e a quantidade de erros a obrigaram a ceder lugar para a – pasmem- central Barbara! E faça-se justiça: ela se deu tão bem na nova função que deveria inclusive cogitar uma mudança de posição no longo prazo.

O fenômeno não é exclusivo dos clubes de alto investimento e também acontece com os times médios. No Camponesa/Minas, por exemplo, Lia foi contratada para ser oposta titular, mas não rendeu o esperado e saiu do time a partir da chegada da Jaqueline. O caso é curioso porque o técnico Marco Queiroga optou por jogar com uma ponteira fazendo o papel de oposta e Carla tem desempenhado essa nova função com muita efetividade.

No Brasília, a situação é parecida: Elisângela faz uma superliga bastante irregular, alternando ótimos e jogos e outros bem fracos. Foi substituída inúmeras vezes por Jéssica, que também não correspondeu. O treinador Sergio Negrão até tentou jogar com um sistema de três ponteiras escalando Paula, Érika e Michelle no time titular e teve bons resultados, só que as lesões de Paula e Érika fizeram esse sistema ficar comprometido.  No São Cristóvão/São Caetano, a situação também é de revezamento: tanto Sabrina quanto Ana Paula possuem muito potencial, mas nenhuma consegue encaixar uma boa sequência de jogos.

A exceção para esse fenômeno está no Pinheiros, que pode se gabar de estar fazendo um revezamento “bom” entre as opostas: com Rosamaria e Renatinha tendo bons aproveitamentos na virada de bola, a equipe vem conseguindo uma temporada memorável. O exemplo mais claro dessa diferença é que Rosamaria era o principal destaque do Pinheiros e, quando se lesionou, Renatinha a substituiu na final da Copa Brasil, foi decisiva, e liderou o time nos momentos mais importantes, levando o time paulista ao primeiro titulo adulto nacional.

Resta saber se a situação do voleibol brasileiro vai continuar assim até o fim da Superliga feminina ou se o mata-mata será marcado pelo brilho das opostas. No que que você apostaria?

* Alexandre Muller é brasileiro, apaixonado por vôlei e atualmente joga na liga universitária da França. Saiba mais sobre ele clicando aqui

This article has 2 comments

  1. Discordo do início do texto: não vejo “todo esse equilíbrio” no torneio feminino. Mas concordo que as opostas não têm sido destaques nessa Superliga (exceção para uma estrangeira, Daymi Ramirez, do Dentil/Praia Clube). Rosamaria, infelizmente, caiu de rendimento ao longo do campeonato; Ivna, uma pena, parece que não se tornará aquela jogadora que todos esperavam, desde o seu surgimento no Minas (a séria contusão que sofreu anos atrás dá impressão que retirou a confiança dela); O caso do Camponesa/Minas – time para o qual torço – é expressivo no que se refere à má fase das opostas. Carla, como foi dito, está bem efetiva. Mas a equipe, além de Lia, conta com Ju Nogueira (que já atuou como oposta). Bem mais alta do que Carla, com uma impulsão maior, e não consegue pegar o posto! Em relação a Elisângela, é preciso considerar que ela já não tem mais aqueeeela condição física.

    Outra coisa: penso não ser tão raro centrais tornarem-se opostas. Lembro de Karin Negrão, algum tempo atrás, por exemplo. A própria Andreia, se não me engano, começou a carreira no meio-de-rede. E só nas últimas temporadas, “migrou” para a saída.

    Não acredito que o status das opostas vai mudar muito nessa reta final de Superliga. Mas quem sabe?

    Um abraço e boas vindas ao novo colaborador

  2. Eu acho que isso é culpa dos técnicos que fizeram a migração de opostas derrubadoras de bolas natas, como Natália, Tandara, Mari entre outras, para ponteiras e assim deixaram elas lá, querendo ou não no decorrer dessa adaptação de oposta para ponteira elas perdem a característica importante de ataque, porque tem que se preocupar também com o passe, mesmo assim não deixaram de receber um número alto de bolas durante os jogos e consequentemente serem maiores pontuadoras dos seus times, ou um grande número de pontos.
    Ou também uma adaptação de times como Tandara foi pra ponta por que tinha a cubana com características de oposta no time e já vinham estimulando ela como ponteira até mesmo na seleção.
    O mesmo caso de Natália até um determinado tempo jogou de oposta em Osasco daí na seleção foi estimulada a ser ponteira por uma “deficiência” de ponteiras passadoras altas brasileira, aí jogou no Amil de ponteira porque já tinha oposta, voltou pra o Rio de Janeiro de ponteira novamente porque contrataram uma meio pra ser oposta, mais aí se machucou, o técnico vendo a necessidade de uma oposta na reta final da superliga colocou ela lá de oposta e a Regiane na de ponta de novo.
    Isso aconteceu por ter uma oposta muito eficiente como a Sheilla que essa sim nasceu pra colocar bola no chão e dar conta do recado na sua posição de origem e continuou lá.
    No Minas essa depois da chegada da Jaque o ponto forte passou a ser ponteiras, em uma fase maravilhosa Jaque chegou pra compor uma equipe com jogadores experientes e uma levantadora que é uma grata supressa que está dando show é um timaço, cheio de talentos individuais e que joga como uma equipe.
    Quanto ao time de Brasília, esse time precisa de juventude, cheio de jogadoras velhas, a Michelle chegou e arrebentou sendo destaque. Digamos que Elisangela nao tem mais toda aquela potencia de antigamente.
    A Joycinha que apesar de nao ser unanimidade mais é uma oposta jovem e que deu o título ao Rio de Janeiro quando jogava lá preferiu sair do Brasil assim como a Sheilla e ser mais valorizada.

    Sendo assim essas opostas medianas entre tantas contusões e má fases algumas continuam jogando como a Ivna, Elisangela, Lia e Andreia, ganharam visibilidade, dando visibilidade também as ponteiras.
    Osasco nao se preocupou em contratar uma boa oposta porque achou que a Cubana ia da conta do recado.