Venturini, sobre o Leite Moça: “Era um timaço, ganharia mais Mundiais”

Venturini, sobre o Leite Moça: “Era um timaço, ganharia mais Mundiais”

Atualmente apoiando o Molico Osasco, a Nestlé encabeçou uma iniciativa muito bacana pouco antes do Natal: aproveitando o último duelo do time pela Superliga este ano, contra o São José, eles convidaram as jogadoras do antigo Leite Moça para lembrar os 20 anos da conquista do título mundial de 1994.

Apesar de a homenagem ter sido realizada com um pouco de atraso, já que a conquista aconteceu em um 27 de novembro (mas sem problemas: até este post está atrasado), é preciso aplaudir a iniciativa de pé. Das 13 jogadoras daquele elenco, somente duas, Ana Paula e Janaína, não compareceram, pois moram nos Estados Unidos.

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Uma dupla foi especialmente assediada pela imprensa e pelos fãs: Ana Moser e Fernanda Venturini. Grandes nomes não só da história do voleibol brasileiro como do mundo, elas estavam bastante lisonjeadas. E, sem falsa modéstia, falaram sobre como aquele time era bom.

“Era uma equipe super estruturada, de altíssimo nível, que ganhava tudo o que jogava. Um time que atuava como música, foram três anos muito felizes da minha vida”, comentou Venturini. Ponto fraco? Até havia, mas o problema resolvido em cima da hora, lembrou Ana Moser: “A gente já era um time muito forte e ainda se reforçou com a Ida para o Mundial em uma posição, o meio de quadra, que era talvez o único ponto fraco daquele time. A equipe ficou 100% fechada, muito forte mesmo”.

Os placares do torneio, realizado no ginásio José Liberatti, atestam essa superioridade: na estreia, 15-9, 15-6 e 15-3 sobre o Camaguey, de Cuba. As tricampeãs italianas do Parmalat Matera foram as segundas vítimas, derrotadas por 15-9, 15-6 e 15-3. Na semifinal, o BCN/Guarujá, de Ana Flávia, não teve chances e caiu por 15-3, 15-8 e 15-3. A decisão foi a chance de revanche para o Matera, mas o time europeu foi novamente atropelado, dessa vez por 15-2, 15-4 e 15-8 em apenas 58 minutos.

Por desorganização dos dirigentes do vôlei, aquela foi a última edição do Mundial de clubes femininos até 2010. Mas e  se o campeonato não houvesse sido descontinuado? Será que o Leite Moça manteria o domínio? Venturini responde:

“Com certeza. Esse time aí era um timaço”, cravou.

De fato, o Leite Moça manteve seu reinado no que pôde, conquistando posteriormente três Sul-americanos (1996, 1997 e 1998) e três Superligas (1994/1995, 1995/1996 e 1996/1997). O mais curioso é que, à época do Mundial, as atletas mal tiveram tempo de treinar juntas, já que as principais jogadoras passaram as semanas anteriores com a seleção brasileira.

Isso, porém, não foi um problema, garante Ana Moser. “Tínhamos um histórico de conhecimento de uma das outras, porque a equipe já vinha de outra temporada e também da seleção. O time veio muito fechado, eram jogadoras de altíssima qualidade em todas as posições. Não havia ponto fraco e isso deu uma segurança para a gente ir efetivamente desempenhando no campeonato. E foi com muita facilidade”, analisou.

A levantadora concordou. “Sabíamos que a nossa equipe era superior e, com a gente jogando bem, acabou sendo do jeito que foi. Mas isso foi fruto da equipe, pelo nível das jogadoras, era realmente uma seleção dentro de quadra. Foi muito bom jogar naquela época”, relembrou.

E você? Tem alguma lembrança do Leite Moça?